• Estado 17/02/17 | 10:13:26
  • Três mulheres são vítimas de estupro por dia no Estado
  • Maioria dos casos envolve familiares
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  • Fonte/Autor: Rádio Videira/Diário Catarinense
  • Foto: Divulgação

Três mulheres são vítimas de estupro por dia em Santa Catarina. As estatísticas mostram ter sido o crime que mais aumentou no ano passado em relação a 2015 - 1.318 casos contra 1.158. O crescimento é de 14%, enquanto outras violências como latrocínio e roubos cresceram em média 7%.

Há, ainda, outros detalhes que devem ser considerados. Um deles é a subnotificação, sendo o estupro o crime que tem a maior taxa no mundo, ou seja, muitas vítimas não registram a queixa. Por isso, especialistas calculam que os números alcancem apenas 10% do que realmente acontece.

Mudança na legislação, além do encorajamento das vítimas e alta resolutividade por parte das polícias na identificação do criminoso podem influenciar no levantamento da Gerência de Estatística e Análise Criminal, da Secretaria de Segurança Pública (SSP) de Santa Catarina.

A lei 12.015 de 2009 extinguiu o crime de atentado violento ao pudor e incluiu a conduta em estupro. Por isso, qualquer ato com sentindo sexual praticado com alguém sem consentimento, até mesmo um toque íntimo, hoje é por lei considerado estupro. É o que aconteceu com a estudante M., 18 anos, que vive com a mãe e o irmão na região da Grande Florianópolis.A ficha demorou a cair - responde a moça ao ser perguntada sobre o motivo de ter demorado tanto para denunciar.

Passaram-se 10 anos para que ela, encorajada por uma amiga e apoiada pela mãe, fosse em junho do ano passado contar à polícia o que lhe acontecia desde criança. Nos tempos de infância, a mãe namorava um homem que se aproveitava da ausência da companheira para espiar a menina no banho e tocar suas partes íntimas.

Os atos provocavam nojo, mas ela permanecia em silêncio. Tinha medo de ser responsabilizada pela mãe, por familiares e pelos amigos do bairro.

O relacionamento do casal terminou há três anos. Mesmo assim, ao saber do que ocorria, mãe e filha fizeram boletim de ocorrência. O homem teria voltado para o interior de São Paulo, e a polícia investiga o caso.

A delegada Patrícia Maria Zimmermann DÁvila, coordenadora das Delegacias de Polícia da Criança, Adolescente, Mulher e Idoso, acredita que o crescimento no número de estupros esteja também relacionado com uma resposta positiva das polícias acerca da identificação dos criminosos. A estimativa é que 90% dos casos sejam esclarecidos.

Maioria dos casos envolve familiares

Para ela, a análise seca dos números necessita ser relativizada, inclusive por ser uma prática com duas situações bem definidas: quando o crime é praticado por um conhecido da vítima - amigo, namorado, familiar - e quando feito por um desconhecido, em situações de assalto, assédio, perseguições.

- Não acredito que estejam ocorrendo mais estupros. Entendo que a resposta por parte do Estado esteja mais efetiva. Assim também como de outros órgãos, a exemplo dos conselhos tutelares, os quais têm trabalho importante em situações que envolvem crianças e adolescentes e âmbito familiar - sugere.

A policial observa que o Estado tem um dos maiores números de delegacias de atendimento da mulher do país, o que facilita a denúncia de crimes. Mas reconhece que questões culturais impedem um melhor desempenho, inclusive pela vergonha que a vítima sente. Patrícia diz que é bem mais alto o número de estupro envolvendo familiares, situação combatida com trabalho em conjunto com as redes de saúde e de educação.